Registros da minha última exposição na galeria vórtice da Escola de Belas Artes da UFRJ .

FRAGMENTOS
A principal tela do grafite é a cidade. Sua diversidade estética se desenvolve a partir das infinitas possibilidades oferecidas pela sua apropriação dos equipamentos urbanos. A presença desta linguagem no espaço público – cada vez mais disputado pelos interesses comerciais - representa, sobretudo, um ato de resistência. Por conta da sua relevância no contexto artístico contemporâneo, o grafite começou a ocupar não mais apenas as ruas das cidades e ganhou também lugar em outros espaços expositivos. E, desde então, instaurou-se a improfícua discussão sobre a legitimidade do grafite enquanto obra artística quando fora do espaço público. Esse embate, no entanto, não pode ofuscar o reconhecimento (e manutenção) da verdadeira essência de sua produção: a subversão.
  É nesse contexto de disputas que Bruno Life elaborou o projeto Fragmentos, no qual o artista destaca parte de obras grafitadas em ambientes públicos e desloca para o espaço formal expositivo. Além de peças criadas pelo artista no ateliê para compor a série.
  As obras são, portanto, complementares: os grafites originalmente desenhados nas construções e os fragmentos transportados pelo artista para a galeria. A proposta é fazer com que a linguagem artística do grafite por si só transpasse os embates ideológicos e cumpra seu papel fundamental: continue a subverter os espaços, 
as imagens, os pensamentos.
Alexandre Silva
Fotos por Monara Barreto e Henrique Madeira .