Bruno Life
"Fragmentos "


A principal tela do graffiti é a cidade. Sua diversidade estética se desenvolve a partir das infinitas possibilidades oferecidas pela sua apropriação dos equipamentos urbanos. A presença desta linguagem no espaço público – cada vez mais disputado pelos interesses comerciais - representa, sobretudo, um ato de resistência. Por conta da sua relevância no contexto artístico contemporâneo, o graffiti começou a ocupar não mais apenas as ruas das cidades e ganhou também lugar em outros espaços expositivos. E, desde então, instaurou-se a improfícua discussão sobre a legitimidade do graffiti enquanto obra artística quando fora do espaço público. Esse embate, no entanto, não pode ofuscar o reconhecimento (e manutenção) da verdadeira essência de sua produção: a subversão.

É nesse contexto de disputas que Bruno Life elaborou o projeto Fragmentos, no qual o artista destaca parte de obras grafitadas em ambientes públicos e desloca para o espaço formal expositivo. 
Ao todo, são quatro obras apresentadas aqui. Três recortes de graffitis produzidos na Zona Portuária e no Complexo do Alemão, ambos no Rio, além de uma gravura. As obras são, portanto, complementares: os graffitis originalmente desenhados nas construções e os fragmentos transportados pelo artista para a galeria. A proposta é fazer com que a linguagem artística do graffiti por si só transpasse os embates ideológicos e cumpra seu papel fundamental: continue a subverter os espaços, as imagens, os pensamentos.

Alexandre Silva